O preço do desenvolvimento e o alto custo social e ambiental da “energia limpa”

Quando ouço de gestores, analistas, jornalistas ou quem quer que seja discursos defendendo o desenvolvimento, sempre pergunto (diretamente, quando posso) aos mesmos:

– Que desenvolvimento? E desenvolvimento para quem, cara pálida?
A razão das perguntas é que foi vendido, ao longo das últimas décadas, uma idéia de desenvolvimento. E quando digo única, é no sentido de um único modelo, que se caracterizaria pela “modernização”. Para pensar de forma pragmática, está incluso, neste sentido, a industrialização. E se há algo que a industrialização demanda é energia e, no modelo atual, de alto carbono (petrodependente), o que gera um passivo ambiental significativo (mudanças climáticas e demais externalidades ambientais).
Eis que retornamos ao início do post: e o desenvolvimento?
O Brasil é considerado pela ONU um exemplo de país cuja matriz energética é “limpa”. Sim, concordo. Do ponto de vista da emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE), a matriz energética é “limpa”, nosso maior problema é o desmatamento na contribuição per capita para o alarmante quadro de aquecimento global.
Mesmo “limpa”, pautada na maximização do uso de energia oriunda das usinas, há externalidades que estimulam mais desigualdade.

Em geral, populações mais fragilizadas pagam por esse desenvolvimento. Longe de um “desenvolvimento como liberdade”, conforme refletiu Amartya Sen. Não apenas no Brasil, mas em economias emergentes e em países com menor desenvolvimento relativo. @s atingid@s por barragens são um exemplo. Um dos critérios mais fundamentais num processo de licenciamento ambiental é a participação pública nos estudos de impacto socioambiental. Mas nem sempre, lamentavelmente, esse procedimento é recorrente, o que termina por gerar cenários de ampliação de externalidades ambientais e deterioração de proteção social.
Esse pequeno documentário retrata um pouco desse cenário na região norte do estado de Mato Grosso, Brasil. Assista. E pense: que desenvolvimento é este?

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